É curioso. Em todo papo que rola sobre a nossa infância, vem à tona um sentimento de nostalgia, de um passado que não volta mais. E no fim, sentimos pena – isso mesmo, pena - das crianças de hoje em dia e das que virão. Infelizmente elas não terão uma infância tão boa quanto a nossa, dizemos. Mas será mesmo o Benedito?
Voltei a pensar nesse assunto (sempre constante) depois do último post do Guga (Pra ver se cola – almadeborracha.wordpress.com). Nele, Guga conta o seguinte:
“Cresci em uma cidade pequena e, por causa disso, fui uma criança ‘de verdade’. Brinquei de esconde-esconde, amarelinha, comandos em ação, joguei futebol até anoitecer, ralei o joelho de bicicleta, subi em árvores e, também, delas cai. A rua era, praticamente, um parque de diversões. Limitado pelo toque de recolher das mães de plantão. – Hora de tomar banho!”
Mas no fim, ele questiona:
“Ou, será que não? Será que fui eu que cresci, fiquei (quase) adulto e vejo o passado com demasiada nostalgia. Será que as crianças de hoje são mais felizes do que nos éramos? Será?”
Respondi a ele que, para mim, é mais nostalgia da nossa parte. Lembramos sempre mais das coisas boas do que das ruins. Ato falho mesmo. E cada geração tem seus benefícios e malefícios. Tenho certeza de que eles sobreviverão e serão felizes. De outro jeito, mas serão.
E para tentar dar um outro panorama nessa discussão, comecei a pensar em algumas coisas que hoje são melhores do que eram na nossa época, ao contrário do que o Guga fez.
Sem dúvida os carrinhos, as bonecas e os video-games de hoje são muito mais sofisticados. A invenção do DVD, do celular e da internet certamente revolucionaram nosso modo de vida. Mas espera um pouco. Isso não nos teria feito crianças mais felizes, teria?
Creio que não. Teríamos hábitos diferentes, mas isso não significa que teríamos sido mais ou menos felizes. E pelo mesmo motivo acho que as crianças de hoje também não são mais ou menos felizes do que nós fomos.
Claro que tínhamos mais liberdade de sair na rua para brincar com os amigos. Mas nós crescemos em cidades pequenas, né Guga? Nas cidades maiores acho que essa liberdade já não existe há muito tempo…
Além disso, atualmente a tendência é de que as crianças passem muito mais tempo na escola (ou em qualquer outro lugar considerado “seguro”) para fazer atividades em grupo. Os próprios video-games, criticados por provocar o sedentarismo, estão desenvolvendo cada vez mais recursos para que o jogador tenha que executar os movimentos que deseja ver na tela.
De outro lado, é demasiado genérico falar em “crianças de ontem” ou “crianças de hoje”. Afinal, a felicidade é algo que depende muito mais do nosso modo de encarar a vida do que daquilo que a vida nos oferece. Eu fui feliz brincando de amarelinha, esconde-esconde e pega-pega na rua. Mas, se a brincadeira, o local e a época fossem outros, teria eu sido infeliz?